GUERRAS MACABEUS Derrota e morte de Nicanor: Parte 05

GUERRAS MACABEUS- QUINTA PARTE FINAL

Sob Antioco IV Epifânio (174-164 a.e.c.), a visão pragmática de que a crescente influência de Roma estaria apresentando uma ameaça a segurança selêucida requeria que a Judéia servisse como para-choque contra a invasão romana através do Egito. Na verdade, Antioco invadira o Egito e fora forçado a retirar-se sob a ameaça de guerra com Roma. Quando seu exército marchou de Volta para Antioquia, o amargurado rei atacou Jerusalém.

O historiador Flávio Josefo registrou o que aconteceu em seguida:

“Entretanto, Antioco não estava satisfeito com sua conquista inesperada da cidade, ou com a pilhagem dela, ou com a grande matança que fez ali; porem, vencido por suas violentas paixões, e recordando-se do que sofrera durante o cerco, ele compeliu os judeus a dissolver as leis de seu país, a manter incircuncisos os seus filhos e a sacrificar carne de porco sabre o altar.

Dessa forma, Antioco iniciou uma campanha para “helenizar” a Judéia, proibindo as práticas judaicas religiosas e culturais, e procurando substituí-las com os deuses e costumes de sua própria tradição grega. Soldados selêucidas massacraram vários judeus e, novamente, saquearam a cidade de Jerusalém. Eles estabeleceram uma guarnição na cidade e perseguiram a população. A centelha que inflamou a revolta judaica foi a pilhagem e a profanação do Templo.

Quando Matatias, um sacerdote judeu, foi trazido perante o povo pelos selêucidas, e ordenaram-lhe que abatesse um porco como sacrifício e então comesse sua carne, a justa indignação do sacerdote transbordou. Ele matou um oficial selêucida e dirigiu seu povo para as montanhas. Embora excedidos em número por um exercito bem-treinado e bem-equipado, os rebeldes judeus permaneceram furtivos, aumentando em número e treinando com as poucas armas que tinham. Dentro de um ano, Matatias veio a morrer; entretanto havia apontado seu terceiro filho, Judas, como líder da rebelião que continuava. Judas estava destinado a tornar-se um dos maiores guerreiros da história judaica, porém as perspectivas para o sucesso pareciam muitíssimo remotas.

“Armados com implementos agrícolas de natureza primitiva e com armas caseiras;

Judas concluiu que o emprego de táticas de guerrilha melhor serviria aos seus propósitos. Seus primeiros ataques os selêucidas foram nos confins dos vales onde se aproveitavam da inclinação natural das montanhas, onde os inimigos seriam incapazes de utilizar as grandes e pesadas falanges para conseguirem subir encosta acima das montanhas limitando seus movimentos. O elemento surpresa, a emboscada, e o bate-e-corre eram as principais táticas, o que não somente obrigava o inimigo a tomar o cuidado de não operar muito longe das bases de suprimento, mas também corroía a moral e a eficiência combativa dos selêucidas, com as primeiras vitorias Judas foi equipando o seu exercito cada vez mais utilizando os armamentos e a cavalaria dos exércitos inimigos que passou a incorporar ao seu próprio exercito que passou a ser a cada vitoria mais sofisticado

Os habitantes da Judéia tornaram-se os olhos e os ouvidos dos rebeldes judeus, coletando dados de inteligência que permitiam a Judas colocar armadilhas para as patrulhas selêucidas, ameaçar linhas de suprimento e obter armas melhores para o crescente número de combatentes. Eles também providenciavam o sustento para os rebeldes que se escondiam nas montanhas da Judéia, quase sem deixar rastro.

Primeira campanha de Lísias

1 Bem pouco tempo depois, Lísias, tutor do rei e seu parente, colocado à frente dos negócios do reino, não conseguiu tolerar o que tinha acontecido. 2 Reuniu oitenta mil soldados com toda a cavalaria, e partiu para atacar os judeus. Seu propósito era transformar Jerusalém numa cidade grega, 3 submeter o templo ao tributo, como os outros santuários das nações, e pôr à venda anualmente o cargo de sumo sacerdote. 4 Isto, porém, absolutamente não levando em conta o poder de Deus, mas confiando somente na multidão dos seus soldados, nos milhares de cavaleiros e nos seus oitenta elefantes. 5 Tendo, pois, entrado na Judéia, aproximou-e de Betsur, reduto fortificado, distante de Jerusalém cerca de trinta quilômetros, e começou a apertá-lo com o cerco.

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6 Quando os homens do Macabeu souberam que Lísias estava atacando as fortalezas, começaram a suplicar ao Senhor, entre gemidos e lágrimas, junto com o povo, para que enviasse um anjo bom para salvar Israel. 7 O próprio Macabeu foi o primeiro a empunhar as armas e exortou os outros a se exporem ao perigo juntamente com ele, para levarem socorro a seus irmãos. E todos, unidos e cheios de ardor, puseram-se em marcha. 8 De repente, quando ainda se encontravam perto de Jerusalém, apareceu à sua frente um cavaleiro revestido de branco, e empunhando armas de ouro.

cavaleiro celestial  macabeus        . - Copia

9 Todos, então, unânimes, bendisseram ao Deus misericordioso. E ficaram tão animados que se sentiram capazes de enfrentar não só homens mas até as feras mais selvagens e mesmo muralhas de ferro. 10 E puseram-se a avançar, em ordem de batalha, tendo consigo esse aliado vindo do céu, pois o Senhor se mostrara misericordioso para com eles. 11 Como leões, irromperam sobre os inimigos, estendendo por terra onze mil dentre eles, além de mil e seiscentos cavaleiros, e obrigando os outros a fugir.

cavaleiro celestial guerra    ..

12 A maior parte destes, porém, escaparam feridos e sem armas. O próprio Lísias escapou fugindo, de maneira vergonhosa.

 Quatro cartas referentes ao tratado de paz

13 Como, porém, não era um homem insensato, e refletindo sobre a humilhação que havia sofrido, Lísias compreendeu que os judeus eram invencíveis porque Deus, com seu poder, os auxiliava. 14 Por isso, enviou-lhes uma delegação, para persuadi-los de que ele concordaria com tudo o que fosse justo, e que convenceria o rei a julgar necessário tornar-se amigo deles.

1 Concluídos esses acordos, Lísias voltou para junto do rei, enquanto os judeus se entregavam ao cultivo da terra. 2 Dentre os governadores locais, porém, Timóteo e Apolônio, filho de Geneu, bem como Jerônimo e Demofonte e, além desses, Nicanor, o chefe dos cipriotas, não os deixavam trabalhar em paz e sossegados. 3 Além disso, os habitantes de Jope chegaram a este cúmulo de impiedade: convidaram os judeus, que moravam na cidade, a subir, com suas mulheres e filhos, a umas barcas preparadas por eles. Isso, como se não houvesse qualquer má intenção escondida. 4 Como se tratava de resolução pública da cidade, os judeus aceitaram, como gente que deseja viver em paz e sem suspeitar de nada. Chegados, porém, ao alto mar, o pessoal de Jope os afundou.

navio grego afundando              , - Copia

E eram não menos de duzentas pessoas. 5 Quando soube da crueldade praticada contra seus compatriotas, os Macabeus se prepararam, e invocou a Deus, o justo juiz. 6 Marchou contra os assassinos de seus irmãos, incendiou de noite o porto, queimou as barcas e passou a fio de espada todos os que nelas tinham procurado refúgio. 7 Como a cidade tinha fechado as portas, ele partiu, mas com a intenção de vir outra vez, e então extirpar totalmente a população de Jope. 8 Entretanto, tomaram conhecimento de que os habitantes de Jâmnia queriam proceder da mesma forma contra os judeus que moravam entre eles. 9 Caiu então de surpresa sobre os de Jâmnia, à noite, e incendiou o porto com os navios, a tal ponto que o clarão do incêndio foi visto até em Jerusalém, à distância de quarenta e cinco quilômetros.

navio grego pengando fogo .. - Copia

Os Macabeus em Galaad (Caspin, Cárnion, Efron) e Citópolis

10 Enquanto faziam a expedição contra Timóteo, depois de uma marcha de alguns
quilômetros, pelo menos cinco mil árabes com quinhentos cavaleiros irromperam contra eles. 11 O combate foi violento, mas os homens de Judas levaram a melhor, com a ajuda de Deus.

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28 Então, vencidos, os nômades pediram que Judas lhes estendesse a mão, e prometeram dar-lhe pastagens e ajudá-lo em outras coisas. 12 Judas, percebendo que eles na verdade poderiam ser muito úteis, prometeu dar-lhes a paz. Assim, depois de darem as mãos, eles retiraram-se para suas tendas. 13 Judas atacou também uma cidade defendida com trincheiras, cercada por muralhas e habitada por gentios de todas as etnias, cujo nome era Caspin. 14 Os de dentro, confiando na solidez dos muros e nos alimentos que tinham de reserva, portavam-se de modo cada vez mais insolente para com os homens de Judas, provocando-os com maldições e blasfêmias, e soltando palavrões. 15 Os companheiros de Judas, então, invocando o grande Soberano do mundo, que sem aríetes nem máquinas de guerra fez cair Jericó nos tempos de Josué, irromperam como feras contra a muralha. 16 Tomada a cidade por vontade de Deus, fizeram aí matanças indescritíveis.

Um lago vizinho, com quase quatrocentos metros de largurario de sangue - Copia, parecia transbordar, repleto de sangue. 17 Tendo-se distanciado dali uns cento e quarenta quilômetros, chegaram a Cáraca, para se encontrarem com os judeus tubianos. 18 Quanto a Timóteo, não o surpreenderam nessa região: ele partira de lá sem ter conseguido nada, embora deixando em certo lugar uma guarnição muito bem equipada. 19 Mas Dositeu e Sosípatro, que eram oficiais do exército do Macabeu, dirigiram-se para lá e aniquilaram os homens deixados por Timóteo na fortaleza, em número de mais de dez mil. 20 O Macabeu, por sua vez, tendo distribuído o seu exército em alas, confiou-as ao comando dos dois mencionados oficiais e arremeteu contra Timóteo, que tinha consigo cento e vinte mil soldados e dois mil e quinhentos cavaleiros. 21 Informado da aproximação de Judas, Timóteo mandou adiante as mulheres e crianças, com o restante das bagagens, para o lugar chamado Cárnion. Era uma fortaleza impossível de conquistar e de acesso muito difícil, por causa dos desfiladeiros no local. 22 Logo que apareceu a primeira ala do exército de Judas, apoderou-se dos inimigos o medo: eles ficaram aterrorizados por causa da presença daquele que tudo vê.

Fugiram então desabaladamente, um querendo passar à frente do outro, a ponto de serem feridos pelos próprios companheiros e atravessados ao fio de suas espadas. 23 Judas, entretanto, perseguiu-os com veemência, traspassando esses ímpios e acabando com cerca de trinta mil deles. 24 O próprio Timóteo, caído nas mãos dos soldados de Dositeu e Sosípatro, com muita manha pôs-se a suplicar que o deixassem partir com vida, alegando que tinha em seu poder os pais de muitos deles, e de alguns os irmãos, os quais poderiam ficar sem proteção.

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26 Em seguida, Judas marchou contra o Cárnion e o santuário de Atargates, onde matou vinte e cinco mil pessoas. 27 Depois de infligida essa derrota e matança, Judas conduziu o seu  29 exército contra Efron, cidade fortificada, onde vivia uma população de diversas nações.
Moços robustos, postados diante da muralha, defendiam-na valorosamente, enquanto dentro havia grandes reservas de máquinas e projéteis. 28 Mas, tendo invocado o Poderoso, que com seu poder esmaga as forças dos inimigos, os judeus tomaram a cidade e, dos que nela estavam, abateram vinte e cinco mil.

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29 Partindo de lá, marcharam até Citópolis, distante de Jerusalém mais de cem quilômetros. 30 Nessa cidade, os judeus que aí residiam deram testemunho da benevolência que seus habitantes demonstravam para com eles e da acolhida bondosa que lhes tinham dado em momentos difíceis. 31 Por isso, Judas e os seus agradeceram a eles e os exortaram a que continuassem a mostrar-se benignos, também no futuro, para com seus irmãos.

Campanha contra Górgias

32 Depois da festa chamada Pentecostes, marcharam contra Górgias, governador da Iduméia. 33 Este saiu para enfrentá-los com três mil soldados e quatrocentos cavaleiros. 34 Tendo começado a luta, alguns dos judeus caíram mortos. 35 Mas certo Dositeu, cavaleiro do grupo de Bacenor, homem valente, conseguiu alcançar Górgias: tendo-o agarrado pelo manto, obrigava-o vigorosamente a segui-lo, querendo prendê-lo vivo. Foi quando um dos cavaleiros trácios, investindo contra ele, amputou-lhe o ombro, e Górgias pôde escapar para Maresa.

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36 Entretanto, os homens de Esdrin estavam fatigados de tanto lutar. Judas então invocou o Senhor, para que se manifestasse como seu aliado e guia no combate. 37 A seguir, lançando o grito de guerra e cantando hinos na língua paterna, arremessou-se de surpresa contra os homens de Górgias, obrigando-os à retirada. 38 Tendo depois reunido seu exército, Judas atingiu a cidade de Odolam. Chegado o sétimo dia, purificaram-se conforme o costume, e ali mesmo celebraram o sábado. 39 No dia seguinte, como a tarefa era urgente, os homens de Judas foram recolher os corpos dos que tinham morrido na batalha, a fim de sepultá-los ao lado dos parentes, nos túmulos de seus antepassados. 40 Foi então que encontraram, debaixo das roupas dos que tinham sucumbido, objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisa que a Lei proíbe aos judeus. Então ficou claro, para todos, que foi por isso que eles morreram. 41 Mas todos louvaram a maneira de agir do Senhor, justo Juiz, que torna manifestas as coisas escondidas. 42 E puseram-se em oração, pedindo que o pecado cometido fosse completamente cancelado. Quanto ao valente Judas, exortou o povo a se conservar sem pecado, pois tinham visto com os próprios olhos o que acontecera por causa do pecado dos  30 que haviam sido mortos. 43 Depois, tendo organizado uma coleta individual, que chegou a perto de duas mil dracmas de prata, enviou-as a Jerusalém, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim, pensando muito bem e nobremente sobre a ressurreição. 44 De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos. 45 Mas, considerando que um ótimo dom da graça de Deus está reservado para os que adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de
que fossem absolvidos do seu pecado.

ALCIMO E NICANOR
Intervenção do sumo sacerdote Alcimo

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Demétrio

1 Após um intervalo de três anos, chegou aos companheiros de Judas a notícia de que Demétrio, filho de Seleuco, havia desembarcado no porto de Trípoli, com grande exército e muitos navios. 2 E que havia dominado o país, depois de ter eliminado Antíoco e seu tutor Lísias. 3 Ora, certo Alcimo, que tinha sido sumo sacerdote, mas se contaminara voluntariamente no tempo da revolta, compreendeu que para ele não havia mais salvação de espécie alguma, nem qualquer possibilidade de acesso ao santo altar. 4 Dirigiu-se, pois, ao rei Demétrio, no ano cento e cinqüenta e um, oferecendo-lhe uma coroa de ouro e uma palma e, além disso, alguns dos ramos de oliveira que se costumam oferecer no templo. E nesse dia manteve a reserva. 5 Encontrou, porém, uma oportunidade adequada para a sua loucura, ao ser chamado por Demétrio perante o Conselho. Interrogado sobre a disposição de ânimo e as intenções dos judeus, assim respondeu: 6 “Alguns dos judeus, que se chamam hassideus, a cuja frente está Judas Macabeu, fomentam a guerra e provocam sedições, não deixando que o reino permaneça em paz. 7 Por isso, tendo sido despojado da glória de meus pais, quero dizer, do sumo sacerdócio, aqui me apresento agora. 8 Antes de tudo, penso com sinceridade nos interesses do rei, mas em segundo lugar preocupa-me o bem-estar de meus concidadãos. De fato, é pela insensatez desses homens, já mencionados, que todo o nosso povo está sofrendo muito. 9 Tu, portanto, ó rei, depois de te informares de cada uma destas coisas, assume o cuidado do país e do nosso povo rodeado de perigos, segundo a benevolência afável que demonstras para com todos. 10 A verdade é que a paz será impossível, enquanto Judas viver!”

11 Tendo ele dito essas coisas, logo os outros amigos do rei, portando-se hostilmente contra Judas, puseram-se a incentivar Demétrio. 12 Este, então, escolheu Nicanor, que havia sido o  33 chefe da divisão dos elefantes, declarou-o governador da Judéia e para lá o enviou. 13 Ele vinha com a missão de eliminar Judas, dispersar os partidários dele e constituir Alcimo sumo sacerdote do grandioso templo. 14 Os pagãos, que tinham fugido da Judéia por causa de Judas, aderiam em massa a Nicanor, calculando que as desgraças e derrotas dos judeus haveriam de reverter em melhoria da sua situação.

Demétrio I da Macedónia — https://pt.wikipedia.org/wiki/Demétrio_I_da_Macedónia

Nicanor faz amizade com Judas

15 Tendo ouvido falar da expedição de Nicanor e da aliança dos pagãos contra eles, os judeus cobriram de terra suas cabeças e puseram-se a suplicar a Deus, que tinha feito deles o seu povo para sempre, e que protege a sua herança com sinais evidentes. 16 Em seguida, a uma ordem do seu chefe, partiram imediatamente dali e se encontraram com os inimigos perto da aldeia de Dessau. 17 Simão, o irmão de Judas, já havia entrado em combate com Nicanor, mas aos poucos, por causa do repentino silêncio dos adversários, tinha sido obrigado a ceder.
18 Apesar disso, Nicanor ficou receoso de resolver a questão com derramamento de sangue, pois ouvira falar da valentia que tinham os homens de Judas e da sua grandeza de alma nos combates pela pátria. 19 Por isso, enviou Possidônio, Teódoto e Matatias, para fazerem as pazes com os judeus. 20 Feito um amplo debate sobre a proposta, o próprio comandante levou-a ao conhecimento da multidão. Estando equilibrados os votos, concordaram com as propostas de paz. 21 Fixaram então uma data, na qual os chefes se encontrariam reservadamente no mesmo lugar. De fato, de ambos os lados adiantou-se um carro e prepararam-se assentos. 22 Judas, entretanto, havia distribuído guerreiros de prontidão em lugares estratégicos, para impedir que se consumasse de repente alguma traição pelo inimigo.
Mas a entrevista transcorreu de modo conveniente. 23 Quanto a Nicanor, passou a residir em Jerusalém, e nada fez de mal. Ao contrário, licenciou as tropas que haviam sido convocadas em massa. 24 Começou a receber Judas constantemente em sua presença, sentindo-se interiormente favorável a ele. 25 Chegou mesmo a aconselhá-lo a casar-se e ter filhos. De fato, Judas casou-se, desfrutou de tranqüilidade, levou uma vida comum.

Alcimo reacende as hostilidades

26 Alcimo, vendo a amizade entre os dois, conseguiu uma cópia dos acordos concluídos e foi ter com Demétrio, acusando Nicanor de ter intenções contrárias ao governo real, pois chegara a fazer de Judas, esse perturbador do reino, o seu aliado. 27 O rei ficou furioso e, provocado  34 pelas acusações desse perverso, escreveu a Nicanor, comunicando-lhe que absolutamente não tolerava esses acordos. Ordenava-lhe também que mandasse imediatamente o Macabeu, preso, para Antioquia. 28 Ao receber essas ordens, Nicanor ficou confuso. De um lado, custava-lhe muito romper os acordos feitos, uma vez que o Macabeu nada havia feito de mal.
29 Por outro lado, como não podia contrariar o rei, espreitava uma ocasião para cumprir a ordem, por meio de uma cilada. 30 O Macabeu, porém, percebeu que Nicanor começou a tratá-lo com frieza, e que os encontros costumeiros se tornavam mais ásperos. Concluindo que essa reserva não era sinal de boa coisa, reuniu certo número de companheiros e ocultou-se de Nicanor. 31 Quando este percebeu que Judas se tinha antecipado com a sua astúcia, dirigiu-se ao grandioso e sagrado templo e ordenou aos sacerdotes, enquanto ofereciam os sacrifícios costumeiros, que lhe entregassem o homem. 32 Eles disseram, sob juramento, que não sabiam onde se encontrava aquele que era procurado. Então, estendendo a mão contra o templo, 33 Nicanor jurou: “Se não me entregardes Judas preso, arrasarei ao solo este santuário do vosso Deus, demolirei o altar e erguerei aqui um templo insigne para Dionísio!” 34 Ditas essas palavras, retirou-se. Os sacerdotes, estendendo as mãos para o céu, invocaram Aquele que sempre foi o defensor da nossa gente, clamando: 35 “Tu, Senhor do universo, que de nada precisas, quiseste que surgisse, em nosso meio, o templo no qual habitas. 36 Agora, ó Santo, Senhor de toda a santidade, conserva para sempre sem mancha esta Casa, que acaba de ser purificada!”

Suicídio de Razis, ancião de Jerusalém

37 Certo Razis, um dos anciãos de Jerusalém, foi denunciado a Nicanor. Era um homem que amava a cidade, de muito boa fama, e por sua bondade o chamavam de “pai dos judeus”. 38 Ele, nos inícios da revolta, já incorrera em condenação por praticar o judaísmo, pois ao judaísmo se entregara de corpo e alma, com toda a perseverança. 39 Nicanor, querendo mostrar o ódio que sentia contra os judeus, mandou mais de quinhentos soldados para prendê- lo. 40 Estava certo de causar grande dano aos judeus, com a prisão desse homem. 41 Quando as tropas estavam quase tomando a torre e já forçavam a porta do pátio, foi dada a ordem de trazer fogo para incendiar as portas. Então, Razis, cercado de todos os lados, atirou-se sobre a própria espada.

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42 Preferiu assim morrer nobremente, a cair nas mãos desses criminosos e sofrer ultrajes indignos da sua reputação. 43 Contudo, não tendo acertado o golpe, por causa da precipitação da luta, e como as tropas já irrompessem pelos pórticos, ele correu animosamente para a muralha e jogou-se com valentia sobre a multidão. 44 Recuando todos  35 rapidamente, fez-se um espaço livre, no meio do qual ele caiu.

Suicídio de Razis

45 Ainda respirando e com o ânimo inflamado, apesar de o sangue correr em borbotões e serem gravíssimos os ferimentos, ele se levantou. Passou correndo por entre os soldados e conseguiu subir a uma rocha íngreme. 46 Então, já sem sangue,arrancou as próprias entranhas e, com as duas mãos, arremessou-as à multidão. Suplicando ao Senhor da vida e do espírito, para que os restituísse um dia, foi desse modo que ele morreu.

Provocação de Nicanor, sonho e oração de Judas

1 Nicanor soube que os homens de Judas estavam em determinado lugar da Samaria. Decidiu então atacá-los, com toda a segurança, no dia do repouso sabático. 2 Alguns judeus, que estavam sendo forçados a acompanhá-lo, disseram: “Não os faças perecer de modo tão selvagem e bárbaro, mas antes respeita esse dia, que mais que os outros foi honrado com o nome de santo por Aquele que olha sobre todas as coisas!” 3 Esse infeliz, porém, ainda perguntou se existe alguém, poderoso, no céu, que tenha determinado celebrar o dia de sábado. 4 Eles responderam: “Sim, é o Senhor vivo, Aquele que é poderoso no céu, quem ordenou que se honrasse o sétimo dia!” 5 Mas Nicanor retrucou: “Pois eu sou poderoso sobre a terra! E ordeno que se tomem as armas e se cumpram os desígnios do rei!” Apesar de tudo, ele não conseguiu levar a cabo seu plano criminoso. 6 Com toda a sua arrogância, de cabeça empinada, Nicanor decidira levantar um troféu público, com os despojos dos homens de Judas. 7 Enquanto isso, o Macabeu confiava, com toda a esperança e sem hesitação, que havia de alcançar a ajuda do Senhor.
Assim, decidiriam a questão combatendo com toda a valentia, pois tanto a cidade como o lugar santo e o templo estavam correndo perigo. 18 De fato, sua preocupação pelas mulheres e filhos, pelos irmãos e parentes, era por eles deixada em segundo plano, diante do máximo temor pelo sagrado templo. 19 Entretanto, não era menor a angústia dos que estavam cercados na cidade, preocupados com aquela batalha em campo aberto. 20 Todos já aguardavam a batalha decisiva, prestes a se iniciar; os inimigos também já se tinham reunido para o combate, os elefantes estavam postados no lugar conveniente, a cavalaria disposta nas alas; Saiu Nicanor de Jerusalém e acampou em Beteron, onde um exército sírio se lhe ajuntou.

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21 Judas Macabeu, acampou em Adasa com três mil homens à vista dessa multidão imensa, do aparato de armas tão diversas e do aspecto temível dos elefantes, estendeu as mãos para o céu e invocou o Senhor que opera prodígios. Sabia muito bem que não é o poderio das armas que obtém a vitória, senão que Deus a decide, outorgando-a aos que ele julga dignos dela. 22 E assim falou, na sua oração: “Tu, Senhor, enviaste o teu Anjo no tempo de Ezequias, rei da Judéia, e ele exterminou cento e oitenta e cinco mil homens do acampamento de Senaquerib. 23 Também agora, soberano dos céus, envia um Anjo bom à nossa frente, para provocar temor e terror.

24 Que eles fiquem aterrorizados com a grandeza do teu braço, pois é blasfemando que eles avançam contra o teu povo santo!” Com estas palavras, Judas terminou sua oração.

Derrota e morte de Nicanor

25 Entretanto, as tropas de Nicanor iam avançando entre clangores de trombeta e cânticos de guerra. 26 Os homens de Judas, por sua vez, os enfrentaram com invocações e preces. 27 Combatendo com as mãos, mas suplicando a Deus em seus corações, estenderam por terra não menos de trinta e cinco mil homens.

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E transbordaram de alegria pela presença de Deus. 28 Terminada a ação militar, quando já se retiravam cheios de contentamento, perceberam  37 que Nicanor estava morto, de bruços, com a sua armadura. 29 Entre gritarias e alvoroço, romperam no louvor do Senhor, na língua materna. 30 Então,aquele que, em todos os sentidos, no corpo e na alma, fora o principal lutador pelos seus concidadãos, e que havia conservado para o seu povo a afeição juvenil, mandou que cortassem a cabeça de Nicanor e lhe amputassem o braço inteiro, com a mão, e os levassem até Jerusalém. 31 Aí chegando, convocou os concidadãos e os sacerdotes. E de pé, diante do altar, mandou chamar os que ocupavam a cidadela. 32 Então mostrou a cabeça do ímpio Nicanor e a mão que esse infame tinha erguido, com toda a arrogância, contra a morada santa do Deus todo poderoso.

cabeça de Nicanor

33 Depois, tendo ainda cortado a língua do ímpio, ordenou que a dessem em pedacinhos aos pássaros. E seu braço, símbolo de sua loucura, mandou que o pendurassem diante do templo. 34 Todos, então, voltados para o céu, assim bendisseram o Senhor, que se tornara manifesto ao seu povo: “Bendito seja Aquele que preservou da contaminação o seu lugar santo!” 35 Judas mandou ainda pendurar a cabeça de Nicanor do alto da cidadela, como um sinal claro e evidente, para todos, da ajuda do Senhor. 36 E todos então decidiram, de comum acordo, não deixar passar esse dia sem uma comemoração, festejando solenemente o dia treze do duodécimo mês, chamado Adar em siríaco, isto é, na véspera do dia de Mardoqueu.

Epílogo do escritor-abreviador

37 Assim se passaram os fatos referentes a Nicanor. A partir desse tempo, a cidade ficou em poder dos hebreus. Por isso, aqui ponho fim à minha narrativa. 38 Se o fiz bem, de maneira conveniente a uma composição escrita, era isso que eu queria; se fracamente e de modo medíocre, é o que consegui fazer. 39 De fato, é desagradável beber somente vinho ou somente água, ao passo que vinho temperado com água produz um prazer delicioso. Assim, o enredo da narrativa deve encantar o ouvido daqueles que venham a ler a composição. Aqui, porém, termino.

FIM…

PDF LIVRO 2 MACABEUS

LINK  ➩ http://www.apostolas.org.br/2010/capela/biblia/antigo/Livros_Historicos/2_Macabeus.pdf

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