EQUIPAMENTO DE ASSALTO DO EXÉRCITO ASSÍRIO

O INCRÍVEL EQUIPAMENTO DE ASSALTO DO EXÉRCITO ASSÍRIO

701 A.E.C.

LÁQUIS SENNAKERIB E O CERCO DE LAQUIS

 

Depois que os assírios destruíram o Estado setentrional de Israel em 724 a.e.c., Judá viu-se subordinada à força esmagadora da Assíria. O previdente rei de Judá, Ezequias, gastou anos preparando sua tentativa de independência. Por volta de 7O1 a.e.c., Ezequias e seu aliado, o rei Zidka de Asquelom, estavam preparados para a rebeliao, contando com a assistência do Egito contra o inigualável poder da Assíria.

INVASÃO

A resposta do rei Sennakerib da Assíria foi imediata. Por volta do fim do século VIII a.e.c., a Assíria crescera como um dos Estados mais militaristas jamais vistos sobre a terra: estima-se que Sennakerib pudesse contar com o serviço de 15O.OOO soldados No relato bíblico de sua campanha (2 Reis 18-19), os assírios zombam dos judeus por precisarem depender do Egito até mesmo para as necessidades básicas de sua cavalaria.

A12

a-maquina-guerra-assiria-foi-uma-das-mais-eficientes-antiguidade-546252e112e37

O rei Ezequias nem mesmo tentou encontrar-se com o invencível exército assírio no campo. Em vez disso, ele esperava que as muitas fortalezas de Judá enfraquecessem os assírios até que desistissem e se retirassem. Isso forçou Sennakerib a lutar uma campanha de cercos – uma tarefa que os assírios fizeram insuperavelmente bem.

Sennakerib seguiu pela já familiar rota de invasão, entrando na Palestina pelo norte e marchando rapidamente em direção ao sul, ao longo da costa oriental do Mediterrâneo.

Todos aliados foram prontamente tomados de assalto, muitos dos seus habitantes foram mortos em batalha ou em seus desdobramentos, ou ainda foram levados para o cativeiro no distante interior da Mesopotâmia caso possuíssem habilidades úteis ao conquistador.

LAQUIS

Para controlar Judá, era necessário controlar as muitas fortalezas do pequeno Estado, construídas no curso de quase dois séculos de guerra ininterrupta. O primeiro grande obstáculo que Sennakerib enfrentou foi Laquis, que bloqueava o principal acesso ocidental às montanhas da Judeia, a estrada Laquis-Hebrom. Sem tomar posse de Laquis, seria impossível conduzir um exército contra Jerusalém, capital de Judá.

Laquis era um obstáculo formidável. A cidade estava situada sobre um tell bastante íngreme, ou seja, um monte artificial formado por escombros de antigas instalações no local. A cidade era cercada por uma linha dupla de muros com parapeitos ameados e torres quadrangulares posicionadas a intervalos regulares. Todo o complexo da muralha tinha sido reconstruído em pedra maciça, substituindo os antigos muros de casamata – paredes finas de retenção preenchidas com entulho.

11703059_918546194853174_939530448490011910_n

 

Em Laquis, os defensores tinham também acrescentado à altura do muro armações de madeira ao longo do topo do muro. Eles tinham escudos montados sobre elas e, atrás deles, os arqueiros e os lançadores de pedra podiam abrigar-se enquanto atacavam o inimigo. Para dificultar ainda mais uma abordagem adjacente aos muros, as rampas dotell tinham sido alinhadas com uma ladeira, formando uma rampa íngreme de rochas cuidadosamente colocadas, que já seriam difíceis de subir, quanto mais de atacar. Além dos muros e das rampas, havia um fosso profundo. O principal portão de Laquis estava situado junto ao canto sul da muralha. Um caminho estreito conduzia a ele, tornando impossível um ataque maciço.

O portão em si era, de fato, duplo: o portão externo, defendido por duas fortes torres, conduzia a um pátio com um muro baixo. Se um agressor conseguisse penetrar ate ai, ele ainda teria que voltar-se para a direita para abordar o portão interno, que também era protegido por duas torres e conduzia a uma grande portaria. Qualquer força que conseguisse entrar na cidade ainda teria de lidar com um complexo palaciano fortificado antes que a cidade viesse a estar completamente em suas mãos.

O CERCO

Antes de iniciar o cerco, Sennakerib enviou um arauto aos portões, oferecendo condições moderadas em troca de uma rendição imediata. Afinal de contas, os cercos podiam durar semanas, ou até meses, e Sennakerib deve ter temido segurar seu exército por muito tempo, pois poderia ficar exposto a um possível ataque egípcio, sem mencionar o mau tempo ou as doenças.

O governador real no comando de Laquis recusou sua oferta, então o cerco começou.

Sennakerib estabeleceu seu acampamento a cerca de 96Om do canto sudoeste da cidade, próximo ao portão, onde o acesso à cidade seria mais fácil para suas tropas. Graças a duas fontes excelentes, ficamos sabendo sobre o curso do cerco com detalhes surpreendentes. O próprio Sennakerib considerou seu bem-sucedido cerco de Laquis como sendo um grande feito, e o comemorou com um painel em relevo na parede de seu palácio em Nínive (agora no Museu Britânico).

A descrição assíria do cerco foi clareada, e maiores detalhes foram acrescentados ao nosso entendimento por meio de escavações em larga escala do local na década de 193O. Embora 2 Reis e 2 Crônicas tratem da campanha de 7O1 a.e.c. de Sennakerib, eles não incluem qualquer menção especifica ao cerco de Laquis.

ddddddddddddddddddddd - Cópia

 Estão sendo empurrados lentamente até as rampas O exército assírio construiu rampas artificiais que leva até a cidade, a fim de transportar seus equipamentos pesados até as paredes e o portão.
À direita, os arqueiros assírios atacam a cidade com seus arcos e flechas. À esquerda, máquinas de cerco estão sendo empurrados lentamente até as rampas. No meio da cena, os soldados inimigos estão defendendo sua torre da cidade e estão bombardeando os atacantes com flechas, pedras e tochas.

Os engenheiros de Sennakerib começaram a construção de uma rampa de cerco perto do acampamento assírio, edificando-a em uma ladeira mansa próxima ao canto sudoeste do muro principal de Laquis; provavelmente, eles também construíram ao mesmo tempo uma rampa, uma estrutura sólida de pedras e madeira, até o portão principal. As rampas eram construídas com uma inclinação aproximada de 3O°, com um declive mais brando próximo ao topo. A tampa principal tinha cerca de 55m de comprimento e era larga o suficiente para os assírios operarem cinco arietes contra o muro da cidade.

Os defensores, é claro, fizeram tudo o que puderam para dificultar ou interromper a construção da rampa. Catapultas ainda não tinham sido inventadas, mas os defensores deveriam ter tido um bom estoque de flechas, lanças e pedras para lançar nos trabalhadores.

37f436e979890304fdafd06d9e58c986

Deve ter havido um alto índice de baixas entre os trabalhadores, muitos dos quais teriam sido judeus das regiões circunvizinhas, forçados ao trabalho pelos invasores. Os assírios também tomaram medidas para limitar os danos infligidos pelos defensores dos muros.

Seus próprios arqueiros atiravam nos defensores, usando poderosos arcos compostos com um alcance efetivo de aproximadamente 274m – embora o tiro para o alto contra a gravidade haveria de diminuir essa distância. Esses arqueiros eram uma parte importante e privilegiada da força assíria, como pode ser visto por sua armadura, que ia até os tornozelos, nos relevos de Nínive – que teria impedido grandemente a mobilidade, mas também muito reduziria o número de baixas.

Cada arqueiro também era protegido por um escudeiro, cujo enorme escudo (ou manto), curvando-se parcialmente sobre ele e seu arqueiro, podia desviam muitos projéteis. À medida que a rampa se aproximava da muralha, os assírios arrastaram uma ou mais torres de cerco. Uma torre de cerco, construída para atingir a altura da torre da muralha, permitiria aos arqueiros competir nas mesmas condições que os defensores.

OS ARIETES

Quando a rampa dos assírios atingiu as muralhas de Laquis, os arietes foram arrastados até elas. Eles não eram apenas simples toras conduzidas por um grupo de homens, mas peças complexas do equipamento de sítio. O ariete em si era um objeto de madeira maciço e longo, com uma cabeça metálica na extremidade que terminava em uma ponta aguçada. Ficava suspenso nas vigas mediante cordas, permitindo que poucos homens o puxassem para trás e o fizessem colidir na parede a cada poucos segundos.

11252015_1463425893976075_4917452698814979735_o

Todo esse dispositivo era transportado dentro de um abrigo fortemente construído sobre rodas, arrastado até a muralha por detrás, ou movido para frente por equipes que puxavam cordas passadas em volta de estacas fincadas junto a muralha.

Embora o abrigo do ariete fosse construído de madeira, ele era coberto porScreenshot_25 (2) couro cru de animais e até mesmo por placas de metal – uma precaução necessária, visto que a melhor forma de os defensores interromperem seu ataque corrosivo na muralha deles seria atear-lhe fogo. Se as tochas do inimigo ou pores de fogo conseguissem causar algum incêndio, um relevo mostra que as equipe dos aríetes incluíam até um soldado cuja tarefa seria chegar perto e derramar grandes conchas de água sobre o ponto em perigo.

 

O relevo de Laquis em Nínive, bem como outras ilustrações da guerra de cerco dos assírios, mostra que era costume apontam o ariete bem para cima, atingindo a muralha o mais alto possível. Com sua ponta aguçada, a cabeça do ariete teria sido apontada o mais cuidadosamente possível em direção às juntas entre os grandes blocos de construção, desgastando a argamassa e, por fim, provocando o desmantelamento da pedra. Ao apontar mais para cima na parede, o entulho caído poderia somar-se à rampa, tornando mais fácil o eventual ataque.

2Attack_Lachish

Os defensores de Laquis fizeram tudo o que foi possível para procrastinar esse dia, a espera, certamente, do socorro vindo de Jerusalém ou do Egito. Eles lançaram fogo sobre os aríetes, e também tentaram interromper a sua ação, procurando prendê-los com ganchos lançados da muralha presos a longas correntes. A luta foi feroz: nas proximidades, arqueólogos descobriram um cemitério coletivo de 1.5OO soldados assírios.

a769bd2e5bd53bd9ad13f3e34ced80b0

Contudo, por fim, os aríetes completaram seu trabalho. Alguns guerreiros assírios precipitaram-se na cidade através do rombo, enquanto outros penetraram nela escalando escadas. Centenas de homens, mulheres e crianças foram mortos, enquanto os vencedores saqueavam a cidade. O relevo de Sennakerib também mostra o destino especial concedido aos lideres de Laquis – foram empalados, para morrer lentamente junto aos muros de sua cidade. Outros cidadãos aparecem no relevo, iniciando sua marcha em direção ao exílio assírio.

RESULTADO

Laquis tinha atrasado o exército assírio, porém, a principio, parecia que seu sacrifício não seria suficiente para salvar Jerusalém. Enquanto Sennakerib ainda estava em Laquis, o rei Ezequias enviou sua submissão, juntamente com pertences dos tesouros do templo e do palácio. Entretanto, após Laquis, Sennakerib marchou para a capital e começou a preparam-se para outro cerco, dessa vez contra as formidáveis defesas de Jerusalém. Porém essas defesas nunca foram testadas.

O relato bíblico do que se seguiu é apavorante:

“Naquela noite, o anjo do Senhor saiu e matou cento e oitenta e cinco mil homens no acampamento dos assírios. Quando o povo se levantou na manhã seguinte, o lugar estava repleto de cadáveres”.

h2Ki1935Dore_DestructionOfArmyOfSennacheribL - Cópia

Não é de surpreender que Sennakerib acabou indo para casa!

Fontes: www.historia.templodeapolo.net/batalhas

MAIS ARTIGOS  EM:  ⇨ MISTÉRIOS BÍBLICOS

Participe Grupo Facebook: Debates perguntas cristãs complicadas

Anúncios

Um comentário sobre “O INCRÍVEL EQUIPAMENTO DE ASSALTO DO EXÉRCITO ASSÍRIO

  1. O rei assírio Senaqueribe (Sin-Akke-Eriba) foi o primeiro a usar um dispositivo militar, semelhante a um tanque de guerra, como mostra o relevo da conquista de Lakish Observa-se a cobertura e o prolongamento do aríete como se fosse realmente o protótipo dessa arma de guerra, com dois e quinhentos anos de antecedência.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s