Quem disse que o Negro não escraviza

QUEM DISSE QUE O NEGRO NÃO ESCRAVIZOU

A escravidão existiu em quase todas as civilizações antigas, e foi abolida pelos europeus primeiramente na Europa, e mais tarde estes também a aboliriam em quase todo o resto do mundo, apesar de atualmente ela existir de forma legal no Sudão e de forma ilegal em muitos países, sobretudo na África e em algumas regiões da Ásia. No Brasil, a escravidão já existia antes da chegada dos europeus, quando os ameríndios escravizavam pessoas de tribos inimigas,  na Civilização Asteca era comum os sacrifícios humanos que eram realizados principalmente com escravos capturados em guerra. Para os astecas, a guerra era sagrada, pois por meio dela se obtinham os cativos para o sacrifício humano, elemento de ligação entre a comunidade. De fato, o sacrifício humano cerimonial e a guerra para pregar  novos cativos para os ritos sacrificiais eram as atividades centrais da sociedade e era muito comum, usados em festividades de sacrifícios em massa de escravos e cativos, em rituais de devoção as suas divindades. Os astecas costumavam cozinhar o corpo da pessoa sacrificada para preparar o prato chamado de tlacatlaolli e era repartido num banquete.
E as vezes escravizando até mesmo alguns europeus como no caso de Hans Staden, que ficou por 8 meses na condição de escravo e após sua lograda fuga, voltou para a Alemanha onde escreveu um livro relatando sua experiência.
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No início da colonização, alguns fatores contribuíram para que os escravagistas trouxessem escravos da África: para os jesuítas os ameríndios eram mais fáceis de serem convertidos ao catolicismo; os nativos tinham uma fraca defesa imunológica e muitos morriam de doenças ao simples contato com o homem branco; na África existia uma grande quantidade de mercantes de escravos principalmente no Reino de Daomé, já no Brasil para aprisionar os ameríndios eram necessárias longas expedições pela floresta. Nessas regiões e em muitos outros reinos da África, eram os próprios africanos que operavam o comércio de escravos. A ”dominação europeia” se restringia a um forte no litoral, de onde os europeus só podiam sair com a autorização dos funcionários estatais. Quando viajavam, eram sempre acompanhados por guardas. O rei controlava o preço dos escravos e podia, de repente, mandar todos os europeus embora, fechando o país para o comércio estrangeiro. Também podia dar uma surra no branco que o irritasse. Foi isso que fez, em 1801, o rei Adandozan com Manoel Bastos Varela, diretor do forte português em Ajudá. Mandou embarcar o diretor ”nu e amarrado” para o Brasil.[1]
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-Atualmente, ensina-se nas escolas e universidades, espalhando-se pela mídia…
a interpretação simplista que reduz toda historiografia escravista ao eterno conflito entre brancos-europeus-exploradores contra negros-africanos-explorados! cristalizando no senso comum que o homem branco europeu foi o único escravista, e que o homem africano foi a grande vítima, promovendo a ocultação de várias verdades, como por exemplo o fato de que: ”Povos islâmicos terem sido os maiores escravagistas da história., que cativos africanos levados ao continente americano, já estavam em condição de escravos na sua terra nativa; que diversos traficantes de escravos eram negros ou judeus; que alguns negros libertos também possuíam escravos nas Américas e a existência de brancos escravizados na idade média.’
Apesar de o tráfico negreiro ser geralmente caracterizado como obra dos países europeus e americano o envolvimento dos países europeus e americanos no tráfico de escravos, mas revela, os africanos também participaram ativamente dessa atividade. O tráfico exigia uma organização comercial complexa para a venda e o transporte dos escravos. Essa organização encontrava-se baseada nos três continentes do Atlântico. Na África ela concentrava-se nas mãos dos próprios africanos, que determinavam quem embarcava ou não para o Novo Mundo.
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ESCRAVIDÃO NA AFRICA

A escravidão foi uma instituição presente na maior parte do mundo. Na África, ela surgiu antes mesmo da era dos descobrimentos marítimos dos europeus. Desde a antiguidade clássica, escravos negros eram vendidos para os mercados da Europa e da Ásia através do Deserto do Saara, do Mar Vermelho e do Oceano Índico. Eles eram vendidos entre os egípcios, os romanos e os muçulmanos, mas há notícias de escravos negros vendidos em mercados ainda mais distantes, como a Pérsia e a China, onde eram recebidos como mercadorias exóticas. Na própria África, os africanos serviam como escravos em diversas funções, desde simples trabalhadores até comandantes ou altos funcionários de Estado. Portanto, tanto a escravidão como o comércio africano de escravos precederam à chegada dos europeus e à abertura do comércio marítimo com o Novo Mundo.
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Com a colonização das Américas, um novo mercado surgiu para o comércio africano de escravos. As plantações de açúcar do Brasil e do Caribe expandiam progressivamente, demandando cada vez mais mão de obra. Contudo, as populações nativas do Novo Mundo, dizimadas em grande parte pelas doenças trazidas pelos europeus, mal podiam atender essa demanda. Os europeus, por outro lado, viam poucos motivos para trabalharem voluntariamente nas plantações de açúcar. As condições de trabalho eram geralmente precárias e pouco gratificantes, de maneira que mesmo prisioneiros ou indivíduos obrigados a um termo de trabalho raramente se sujeitavam a trabalhar nas plantações de açúcar do Novo Mundo. O problema da escassez de mão de obra foi solucionado com o tráfico transatlântico de escravos.

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A escravidão na África serviu de base para o desenvolvimento do tráfico transatlântico de escravos. Inicialmente, os europeus organizaram expedições marítimas para capturar e transportar escravos pelo Atlântico. Contudo, os riscos e os custos dessas expedições eram muito altos em comparação aos ganhos. Por isso, decidiram por um método menos agressivo para a obtenção de escravos, adotando o comércio no lugar da força bruta. Os africanos responderam positivamente a essa decisão, uma vez que já estavam longamente familiarizados com o comércio de escravos. A abertura do comércio transatlântico com os europeus proporcionou aos africanos acesso a objetos que eles consideravam como de luxo, e não quinquilharias como geralmente se anuncia. Os africanos rarissimamente venderam escravos por bens de primeira necessidade. A maioria dos objetos importados pelos africanos consistia em bens supérfluos como panos asiáticos e europeus, bebidas alcoólicas, tabaco, armas de fogo, e pólvora.

QUEM DISSE QUE O NEGRO NÃO ESCRAVIZOU

Havia várias maneiras de um indivíduo se tornar escravo na África. Entre as tribos Africanas o mais comum, e talvez mais eficiente, era a guerra. Guerras entre vizinhos geralmente produzia um número de indivíduos capturados que poderia ser facilmente vendido na costa como escravo. No entanto, as guerras eram um método de escravização caro e dispendioso, que somente sociedades centralizadas ou estatais poderiam sustentar, ou que normalmente conseguiam uma quantidade reduzida de escravos  aldeias pequenas produzia escravos suficiente apenas para o trafico  de tribos locais para os padrões do comercio de escravos Árabe e Europeu não era suficiente.

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No Império Zulu  – As mulheres e as crianças serviam também no exército, seguindo o
exército com gado, cozinhando e carregando comida.Os homens de outras tribos que eram feitos prisioneiros tornavam-se escravos e se eram novos e fortes faziam parte do exército.
http://civilizacoesafricanas.blogspot.com.br/2010/02/zulus.html

Outros métodos de escravização menos dispendiosos e abertos às sociedades africanas descentralizadas incluíam as razias, o endividamento, e o julgamento por crimes ou heresias. Finalmente, em tempos de carestia, havia ainda a possibilidade de escravização voluntária, na qual indivíduos livres entregavam-se à escravidão movidos pela fome, pelo abandono ou por outras ameaças.

O tráfico transatlântico consumiu mais escravos do que qualquer outro mercado da África. Contudo, a demanda por escravos do comércio transatlântico pouco alterou a maneira como os africanos concebiam a escravidão na África. Em geral, os africanos preferiam mulheres como escravas por dois motivos. Primeiro porque as mulheres eram responsáveis pelo trabalho agrícola na maioria das sociedades africanas, e segundo porque eles poderiam tomar essas mulheres por esposas, aumentando assim ac78c49dd5c67df391ddb972356624e22 sua família e a sua influência política na comunidade local. As crianças também eram consideradas escravos
ideais pelos africanos, uma vez que poderiam ser facilmente assimiladas pela comunidade dos seus senhores. Ao contrário, os africanos procuravam se desfazer logo de escravos homens, que poderiam representar um perigo para a sociedade, especialmente em se tratando de soldados capturados em guerras. Nesse sentido, o tráfico transatlântico de escravos contribuiu para aliviar os senhores africanos desse tipo de escravo, já que as plantações do Novo Mundo demandavam mais homens do que mulheres e crianças como escravos. Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos, naturalmente de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres negras (e escravas) eram crucificadas.

O tráfico negreiro atuou diferentemente em várias partes da costa africana. Por isso, torna-se difícil de calcular o impacto dessa atividade no continente. Na Baía de Benin e na costa do Congo e Angola, onde o tráfico foi especialmente ativo, o seu impacto é geralmente associado à violência comercializada, a crises demográficas, e à expansão da escravidão na própria África. Em outras partes do continente, as consequências devem ter sido menos severas, apesar da economia externa africana viver hoje profundamente voltada para fora do continente. De toda maneira, o tráfico transatlântico de escravos foi uma atividade na qual os africanos atuaram tanto como vítimas quanto agentes. Talvez, o primeiro passo para se compreender a história dessa tragédia seja reconhecer que até

52aa234c11a55efb49fc9c759dfdaa31 - Cópiapouco tempo a escravidão era aceita pela maior parte do mundo. Uma prova disso está na  ocasião que ora se celebra. O 13 de Maio de 1888 representou o fim da escravidão no Brasil,  o último pais a abolir a escravidão nas Américas, apenas cerca de dois séculos atrás. Portanto, seja entre europeus, seja entre africanos, havia poucos fatores que pudessem inibir o desenvolvimento do tráfico transatlântico de escravos.

Navio Negreiro carregando Crianças para o Novo Mundo 1868

OS MAIORES TRAFICANTES DE ESCRAVOS DA HISTORIA OS ÁRABES

 Durante séculos, milhões de africanos subsarianos foram vendidos comoescravosno Norte de África.[1]
Entre 650 e 1800, foram vendidos como escravos uns 7 ou 8 milhões de africanos provenientes das terras ao sul do deserto do Sara. Os compradores viviam noEgito,Sudão, Líbia, Marrocos, etc…
Inúmeros testemunhos, desde a Idade Média europeia, corroboram este acontecimento histórico. Mas a falta de documentação e de estatísticas tornam impossível saber o número exato de pessoas envolvidas neste processo histórico.

O comércio de pessoas se intensificou no século VII, quando os árabes conquistaram o Magreb e o leste africano. Os árabes eram grandes mercadores de escravos, e conseguiam suas mercadorias humanas em diversas regiões: Espanha, Rússia, Oriente Médio, Índia e África. Os escravos comprados nessas regiões eram vendidos principalmente na península Arábica, mas também podiam ser vendidos em regiões mais distantes, como na China.

Com o aumento da demanda por escravos nos portos africanos controlados pelos árabes, aumentou também o número de povos africanos que passaram a viver (e sobreviver) da captura de inimigos ou de grupos mais fracos, para vendê-los. Acredita-se que entre os séculos VII e XIX, em torno de 5 milhões de africanos tenham sido comprados na África pelos árabes.

Nesse processo, muitas tribos, cidades, reinos africanos se fortaleceram, pois controlavam as rotas de comércio de escravos. E quanto mais fortes e ricos se tornavam, mais tinham condições de oferecer mais mão de obra escrava para os árabes. Foi o caso do Reino de Mali, Reino de Gana, as cidades iorubas, o Reino do Congo e as cidades suaílis, e várias outras.

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 Antes mesmo de Maomé, já no século VI, mercadores árabes freqüentavam todos os portos da costa oriental da África, trocando cereais, carnes e peixes secos com tribos bantus por escravos. As populações negras não-muçulmanas também consideravam a escravidão um fato absolutamente normal (…)”

Civilizações negras ao sul do Saara (1): a Terra dos Maqzara e o reino de Tekrur
No extremo oeste da África setentrional, entre os atuais países de Mali e da Mauritânia, ao longo do rio Níger até mais a oeste, na escarpa do Tagant, com limite ao sul nos rios Senegal e Bakoy, desenvolveram-se as primeiras civilizações negras conhecidas: os Maqzara, o reino de Tekrur, e os famosos Impérios de Gana (Wagadu), ou o “Império do Ouro”, como ficou sendo chamado, e o de Songai (ou de Gao).
Essa expansão berbere havia se dirigido tanto no leste ao sul do Egito, para obter o controle das minas de ouro do Sudão, quanto no oeste ao sul de Magreb, e aqui no Baixo Senegal a expansão basicamente tivera como motivação o desejo de dominar as rotas cada vez mais desenvolvidas dos tráficos de ouro, de sal e de escravos, este último um tráfico que nunca parou de crescer desde então até meados do século XIX (KI-ZERBO, s/d: 130). O tráfico de escravos – escravos que eram utilizados em sua maior parte no serviço doméstico ou como soldados – acontecia tanto no sentido do sul para o norte do Saara quanto o inverso (DAVIDSON, 1992: 146).

Apesar das dificuldades naturais de se atravessar o deserto, muitas caravanas de muçulmanos cruzavam o Saara a oeste para comerciarem escravos, sal, cavalos e metais (ouro e cobre) com as populações negras.
O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da Europa. Foi o Islã, desde muito cedo em contato com a África Negra através dos países situados entre Níger e Darfur e de seus centros mercantis da África Oriental, o primeiro a praticar em grande escala o tráfico negreiro (…)
O comércio de homens foi um fato geral e conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islã, civilização escravista por excelência, não inventou, tampouco, nem a escravidão nem o comércio de escravos

MANSA MUSA DO IMPÉRIO MALI

Outro conhecido exemplo é o rei de Mali, Mansa Mussa (1312-1332): negro e muçulmano, quando chegou ao Cairo em peregrinação a Meca em 1324, sua procissão incluía 60.000 homens, 12.000 escravos entre Mansa musa escolheu quinhentos escravos também negros, cada um com uma bola de ouro na mão sendo o total incluía  60.000  homens, e 12.000 escravos.

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Fontes Artigo Academico:
(03)—- http://civilizacoesafricanas.blogspot.com.br/2010/05/participacao-africana-no-trafico-de.html
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